Flores no deserto: trabalho pesado na reciclagem não assusta mulheres da Cooperyara

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Esta matéria faz parte da série “Mulher Protagonista”, produzida pela Prefeitura de Barueri em homenagem ao Dia Internacional da Mulher 2021. De 8 a 12 de março estão sendo publicadas reportagens com foco no protagonismo da mulher barueriense.

Força, resiliência e beleza – essas são algumas das características que definem a mulher: aquela que batalha todos os dias sem deixar de lado sua feminilidade e sua dedicação com o trabalho, a família, a casa. Na Cooperyara (Cooperativa de Trabalho dos Profissionais Prestadores de Serviço de Reciclagem de Lixo do Município de Barueri e Região) as mulheres não se limitam a atividades simples e sutis, mas também pegam no pesado, trabalhando na reciclagem de materiais descartados, provando que mesmo nos ambientes mais difíceis e áridos elas marcam presença com exuberância, como flores no deserto.

A Cooperyara tem um papel importante na sustentabilidade e, de quebra, proporciona subsistência a 66 famílias. Um trabalho digno, mas pesado, pois separar, prensar e carregar esse material não é fácil, mas as mulheres, como sempre, tiram isso de letra. Lá elas são a metade da força de trabalho e, mesmo com o uniforme, salientam sua beleza, seja usando um batom, seja com o cabelo solto ou com um sorriso discreto no canto do rosto, garantindo que mesmo o trabalho bruto não lhes tira a essência cuidadosa e acolhedora.

Rute
Rute Saraiva da Silva, cooperada há nove anos, conta que foi muito bem acolhida pela cooperativa e que, apesar de o serviço ser “puxado”, vale muito a pena. “Aqui é um lugar que você é bem acolhida, as pessoas são ótimas, o serviço é cansativo, mas é digno e vale muito a pena. Se chegar e tiver vaga, ela dá a vaga para trabalhar e a gente recebe bem, graças a Deus, e a gente vai batalhando no dia a dia. Não tenho do que reclamar”, garante.

Lá, conforme conta Rute, eles formam uma grande família. “A gente aprende muito com esse serviço pesado. Se você tem uma experiência, pega bem o serviço, daí não se torna pesado pra gente que é mulher. É uma coisa que você faz rapidinho e quando está muito pesado, vem alguém e te ajuda”, diz, com orgulho.

Simone
 Simone da Silva Santos trabalha há oito anos na Cooperyara, já executou funções mais extenuantes na vida e por isso nem considera o trabalho na cooperativa pesado. “Eu não consigo achar um serviço pesado, porque já estou acostumada, gosto do que eu faço. Quando a gente gosta do que faz, a gente não encontra dificuldades”, diz. Simone comenta que hoje em dia os direitos estão equiparados, mas que há uma maior rotatividade com relação aos homens no trabalho, o que não acontece tanto entre as mulheres, que acabam se dedicando mais às atividades, além de terem que cuidar da casa e dos filhos. “A mulher está muito independente, nós temos muitas mulheres que são mães solteiras, que administram uma casa sozinha. A gente não olha o serviço em si, aprende a fazer e administra o serviço muito bem. Aqui na cooperativa as mulheres fazem o serviço muito melhor do que os homens”, afirma.

Joseneusa
Joseneusa Santos Borges é moradora de Barueri há 23 anos, há um ano na cooperativa. Para ela, a cada dia a mulher conquista mais espaço no mercado e no mundo. “É serviço de homem, teoricamente, mas graças a Deus a gente está conquistando os nossos direitos como mulheres, mesmo com o serviço pesado, pra levar o pão de cada dia para nossos familiares em casa. A gente procura fazer o melhor. Por ser mulher, as vezes as pessoas acham que a gente não tem a mesma garra que os homens. Temos sim! E cada vez mais a gente se une para superar todas as dificuldades”, reforça Joseneusa com garra.

Fonte: Secom – Prefeitura de Barueri