Dia Mundial do Vitiligo: doença tem cura, mas tratamento é psicoemocional

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Neste 25 de junho será comemorado o Dia Mundial de Combate ao Vitiligo, criado há 12 anos para incentivar a reflexão sobre a doença e combater o preconceito que ainda existe com relação a ela. A data foi escolhida por causa do aniversário da morte de Michael Jackson, que sofria da doença.

Não há uma estimativa confiável sobre o número de pessoas que sofrem com o vitiligo em Barueri. Mas segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 0,5% da população brasileira é acometida pela doença, algo em torno de um milhão de pessoas. No mundo, estima-se que entre 1% e 2% das pessoas tenham vitiligo.

O vitiligo é uma doença benigna, caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, que é a diminuição da cor, com manchas brancas de vários tamanhos na superfície da pele. Apesar de muitos acreditarem que não há cura ao vitiligo, hoje em dia sabe-se que a doença pode sim ser tratada.

A rede municipal de saúde de Barueri tem toda uma estrutura para o atendimento daqueles que sofrem de vitiligo. A partir de um diagnóstico preliminar feito em uma das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade, o paciente é encaminhando ao Centro de Especialidades.

Vitiligo tem cura
A dermatologista do centro de especialidades, Vanessa Kodani, especialista no tema e atuando há quase vinte anos na área, ressalta que “hoje, felizmente sabemos que o vitiligo tem cura, mas depende muito mais do paciente do que dos tratamentos, pois a cura sempre é psicoemocional”.

Apesar de não ser contagiosa e não trazer prejuízos para a saúde física, as lesões provocadas pela doença impactam significativamente na qualidade de vida do paciente. Diante disso, o acompanhamento psicológico pode ser recomendável.

Como explica Vanessa, “os tratamentos funcionam como uma ‘muleta’ enquanto o paciente trabalha as questões emocionais, que podem durar anos”. Assim, os tratamentos medicamentosos são tópicos, como o uso de corticóides e imunomoduladores (derivados da vitamina D), que o paciente pode usar em casa.

Tratamentos
Há ainda a possibilidade de tratamento com fototerapia, laser ou mesmo procedimento cirúrgico, como o transplante de melanócitos (células responsáveis pela produção de melanina, que é o pigmento que dá cor à pele) para lesões estáveis. O resultado é o surgimento de zonas despigmentadas, com forma de manchas brancas.

Não há como prevenir o vitiligo. Mas em cerca de 30% dos casos há histórico familiar da doença. Assim, parentes com indivíduos afetados por ela devem fazer uma vigilância periódica da pele e procurar um dermatologista no eventual surgimento das lesões de hipopigmentação. A ideia é detectar logo a doença e iniciar o tratamento o mais breve possível.

Sintomas emocionais
Os pacientes de vitiligo não manifestam sintomas além do surgimento das manchas brancas na pele, embora alguns casos registrem sensibilidade e dores na área afetada. Mas a principal preocupação daqueles que se ocupam do tratamento da doença estão nos sintomas emocionais que podem se desenvolver em decorrência do problema.

A também dermatologista no Centro de Especialidades, Camila Amadio, há quatro anos na área, reforça a importância do acompanhamento psicológico. “O paciente com vitiligo precisa ser acolhido tanto no aspecto dermatológico quanto no psicológico. O acompanhamento deve ser regular, pois muitas vezes o tratamento é desafiador”, disse a médica.

Na edição deste ano do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo, uma das participantes tem vitiligo: a mineira Natalia Deodato. A aparição de Natália deu visibilidade ao tema. Para Vanessa, a presença dela “pode ajudar, conscientizando a população da doença, mostrando um outro lado, a vida normal dessas pessoas. O que não se pode nesses programas é vitimizar o portador de vitiligo, pois ele está longe disso”. A médica conclui: “Afinal, somos todos diferentes uns dos outros, isso nos torna únicos, às vezes a diferença pode ser mais aparente pra uns, mas todos temos nossas peculiaridades”.

Posição semelhante à da colega Camila. “A sociedade, por falta de informação, ainda tem preconceitos com a doença, o que pode afetar a vida do paciente em vários aspectos. Por isso, discutir e informar a população sobre o vitiligo é muito importante”. E completa reforçando a importância de um dia mundial específico para a doença. “O Dia Mundial do Vitiligo é muito importante, pois nos permite discutir sobre a doença e assim conscientizar as pessoas, diminuindo o preconceito e ajudando no diagnóstico precoce, tratamento e acolhimento dos pacientes”, concluiu.

Fonte: Secom – Prefeitura de Barueri