Roda de conversa sobre “sentido da vida” sensibiliza moradores de rua

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Durante o mês de setembro – período em que se promove a conscientização sobre a prevenção ao suicídio – a Secretaria de Saúde, por meio da Diretoria de Saúde Mental, promoveu encontros junto à população em situação de rua que levou informação e amparo psicológico com o intuito de acolher pessoas que estão em sofrimento mental.

Entre as ações, a equipe do Consultório na Rua realizou rodas de conversa em territórios dos bairros Engenho Novo, Jardim Paulista, Boa Vista, Jardim dos Camargos e na região central com esses grupos mais vulneráveis para abordar temas ligados à saúde mental, provocando reflexões sobre o sentido da vida.

No dia 29 de outubro, a dinâmica aplicada no bulevar central, um dos usuários do serviço, Raul Rodrigues Carrillo, que está hoje em uma unidade de acolhimento (UA) – trata-se de uma moradia provisória ligada ao CAPS Álcool e Drogas, destinada para pessoas que necessitam de cuidados  com relação aos transtornos decorrentes ao uso abusivo de substâncias psicoativas – foi estimulado a resgatar emoções positivas e o sentimento de pertencimento.

“Entre as coisas que fazem o meu dia melhor estão: falar com a minha mãe, que está na Venezuela, cozinhar e lembrar dos meus netos”, conta Raul durante a dinâmica em grupo.

A abordagem com os atendidos pelo Consultório na Rua também serviu para rever conceitos pré-definidos pela sociedade sobre os sentidos de viver.

“Ir para rua é também um sentido de buscar um novo lugar. É procurar aquilo que não estava sendo suprido dentro de casa. A pessoa que está em sofrimento mental passa a não falar o que sente e procura recursos para resolver estes sentimentos, o que leva a autoagressão”, destaca a psicóloga especialista em atendimento em crise suicida, Silmara Bahia, da Unidade Básica de Saúde (UBS) Edini Cavalcante Consoli, que integrou o encontro.

Para as rodas de conversa foi considerada uma abordagem diferenciada para reforçar a importância dos cuidados com a saúde mental e a prevenção ao suicídio, dando orientações de locais onde é possível buscar ajuda.

“Essa população vive em extrema vulnerabilidade em todos os âmbitos, psicológicos, sociais, de saúde e familiar, portanto, é necessária uma dinâmica que envolva maior sensibilidade para escuta, acolhimento quanto a abordagem do tema”, explica a terapeuta ocupacional Caty Cilene Fernandes Teodoro.

Este amparo foi encontrado na rede de atendimento de Barueri por Raul, que relatou o seu quadro depressivo.

“Aqui encontrei toda a ajuda que preciso. Nos dias que estou muito triste, penso até que estou recebendo assistência demais para o meu caso. Essa conversa foi muito boa porque a sociedade precisa acolher e entender que a depressão não é frescura e suicídio não é covardia”, disse.

Consultório na Rua
A equipe do Consultório na Rua oferece atendimento à população em situação de rua através de ações de prevenção e promoção à saúde. Os atendimentos são realizados no espaço da rua e nos serviços de saúde. Há ainda uma busca ativa, acolhimento, formação de grupos, oficinas e ações de educação em saúde baseadas na Política de Redução de Danos, além do acompanhamento dos usuários que estão em tratamento.

Fonte: Secom – Prefeitura de Barueri