Dia Mundial sem Carro propõe ações de grande impacto na saúde das pessoas e do planeta

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Existe vida além do para-brisas. Esse é o apelo que ativistas do mundo inteiro fazem no Dia Mundial sem Carro, celebrado em 22 de setembro. A data, criada em 1997 na França e adotada por vários países a partir do ano 2000, propõe que, pelo menos nesse dia, motoristas adotem novas formas de locomoção e revejam o uso excessivo do carro.

O Dia Mundial sem Carro é uma campanha que impacta muitas frentes: saúde, meio ambiente e mobilidade urbana são algumas das principais.

O uso de meios de transporte alternativos, como bicicletas, skates e patinetes seria o ideal. Para quem não pode aderir a eles, usar o transporte público já ajuda bastante, uma vez que eles carregam dezenas ou centenas (no caso dos trens) de pessoas ao mesmo tempo. E para quem não consegue mesmo evitar o uso do automóvel, adotar medidas como a carona solidária resulta em um impacto positivo, já que várias pessoas deixam seus carros em casa, fazendo uso apenas de um veículo.

Conforto que custa caro
De acordo com o Relatório de Emissões Veiculares da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), “a poluição do ar é um dos maiores problemas ambientais da atualidade, comprometendo a saúde e a qualidade de vida das populações. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais 4 milhões de pessoas morrem prematuramente no mundo em decorrência da poluição do ar. Cerca de 90% da população mundial está exposta a níveis de concentração de poluentes acima dos recomendados pela OMS”.

Nas cidades, automóveis, motocicletas, ônibus e caminhões são os maiores emissores de substâncias tóxicas, como monóxido e carbono, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos, óxidos de enxofre, dentre outros. Tais substâncias causam grande prejuízo à saúde quando absorvidas pelo sistema respiratório.

Além disso, ameaça a vida como um todo quando consideramos o que causa ao planeta, conforme expressa o secretário de Recursos Naturais e Meio Ambiente de Barueri (Sema), Marco Antônio de Oliveira – o Bidu.  

“Vamos falar de aquecimento global, um agravamento causado pelo uso excessivo de automóveis. Mas nós vamos aprender isso com a dor. Nós estamos vendo o aquecimento global, tempestades, calor muito grande no inverno, essa mudança climática, é o que acontece. Enquanto a gente não tiver consciência de que nós somos o mal desse planeta e mudar o nosso comportamento, nós vamos acabar com esse mundo. Toda ação local soma globalmente em resultados ruins: são maremotos, tufões, essa mudança que leva a picos de frio e de calor. Se a gente não se conscientizar, estaremos acabando com o mundo das gerações futuras”, alerta Bidu, que também é biólogo.

Bidu defende a adoção de meios de transportes não poluentes, como bicicletas, mas também aponta outras alternativas, como carros elétricos. O secretário também lembra que é preciso buscar alternativas de combustão limpa aos ônibus, que são grandes poluidores, ao contrário dos trens, que poluem bem menos.

“Quem puder comprar um carro elétrico e também dar carona a outras pessoas e, claro, usar mais bicicletas, estará ajudando a reverter esse quadro. Em Barueri hoje estão aumentando as ciclovias dentro da cidade, estamos tendo esse incentivo e a tendência é aumentar cada vez mais”, diz.

Rever certos costumes pode fazer toda a diferença, conforme aponta a bióloga Yara Maria Garbelotto, que é diretora de Planejamento Ambiental da Sema. “Gosto bastante desse tema porque ele é bem transversal. Ele fala com a gente na questão de meio ambiente porque no Dia Mundial sem Carro, se todo mundo deixasse um dia o carro em casa, deixaria de emitir uma quantidade muito grande de poluentes. É sempre bom lembrar que nas cidades, a fonte maior de poluição do ar é a emissão dos veículos. A queima de combustível fóssil é a maior responsável pela poluição nas grandes cidades”.

Yara tem razão. Ainda segundo a Cetesb, o crescimento na frota veicular é cada vez maior no Brasil, especialmente nas regiões metropolitanas. O estado de São Paulo é o que mais preocupa, já que é onde está 40% da frota automotiva nacional. O Relatório da Cetesb mostra que o inventário paulista é de aproximadamente 15,4 milhões de veículos, sendo a esmagadora maioria de carros, totalizando 10,4 milhões. São mais de sete milhões de veículos, de todos os tipos, apenas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP)

“Quando puder, se organize para usar outras formas de transporte. Senão no Dia Mundial sem Carro, mas uma vez por semana deixar o carro em casa, ou fazer carona, sempre que possível usar outros meios de transporte. É interessante pensar nessas pequenas ações que podem ter um impacto grande na nossa cidade”, diz Yara.

Ciclofaixas
Em Barueri, estão crescendo os investimentos em ciclofaixas como incentivo ao uso de bicicletas pelos cidadãos. Exemplo disso é a grande extensão disponível no trecho recém-inaugurado do Parque Linear. Quando concluído, terá 14 quilômetros de extensão e ainda culminará no Parque da Juventude e interligará pontos estratégicos da cidade. Há também a ciclovia na Via Parque, em Alphaville, para uso aos finais de semana, das 7h às 17h.

A Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana (SSMU) está trabalhando em projetos voltados a esse fim. Além disso, por meio do Demutran, realiza cada vez mais campanhas educativas para inclusão e proteção de pedestres e ciclistas no trânsito.

Fonte: Secom – Prefeitura de Barueri