Fenômenos aumentam no atual ciclo solar, podem causar impactos temporários em tecnologia, mas não representam um “fim do mundo digital”

Nos últimos meses, voltou a circular com força a ideia de que uma grande tempestade solar poderia “desligar satélites”, “desorganizar o campo magnético da Terra” ou até provocar um colapso tecnológico global. O fenômeno existe, é monitorado por agências internacionais, mas a realidade é mais técnica e menos apocalíptica do que muitas publicações sugerem.
 
As chamadas tempestades solares são causadas por erupções no Sol, principalmente flares solares e ejeções de massa coronal (CMEs). Quando essas nuvens de partículas energéticas atingem a Terra, elas interagem com a magnetosfera, podendo gerar tempestades geomagnéticas.
 
Impactos reais: onde está o risco
 
Segundo dados de centros oficiais de meteorologia espacial, os efeitos mais relevantes são temporários e concentrados em sistemas tecnológicos sensíveis:
  • Satélites: eventos fortes podem aumentar o aquecimento da alta atmosfera, elevando o arrasto sobre satélites de órbita baixa. Em casos extremos, satélites podem perder altitude ou precisar ser desligados preventivamente.
  • GPS e navegação: alterações na ionosfera podem gerar perda momentânea de precisão em sistemas de posicionamento.
  • Comunicações: podem ocorrer falhas em rádio de alta frequência e instabilidades em comunicações via satélite.
  • Rede elétrica: tempestades severas podem induzir correntes elétricas em linhas de transmissão, exigindo protocolos de segurança.
 
Esses riscos são conhecidos, estudados e mitigados com planejamento operacional por operadores de energia, telecomunicações e satélites.
 
 E o campo magnético da Terra?
 
Aqui está o ponto que mais gera desinformação.
 
Verdade: durante uma tempestade geomagnética, o campo magnético sofre variações temporárias, que podem durar horas ou poucos dias.
Mito: não há evidência científica de que tempestades solares provoquem mudanças permanentes, inversão de polos ou “desmagnetização” da Terra.
 
As variações de longo prazo do campo magnético terrestre estão ligadas a processos internos do núcleo do planeta e não a eventos solares.
 
Por que o tema ganhou força agora?
 
Porque o Sol entrou oficialmente no máximo do Ciclo Solar 25, fase em que aumenta o número de manchas solares e a probabilidade de eventos mais intensos. Em 2024 e 2025, alertas de tempestades geomagnéticas severas chegaram a níveis raros, chamando a atenção da mídia internacional.
 
Conclusão
 
Tempestades solares são reais, merecem monitoramento e podem causar impactos tecnológicos pontuais. Mas o discurso de colapso global iminente não é sustentado pelos dados científicos. Informação correta é a melhor defesa contra o alarmismo.
 
 
Por: Randal 
Sec. De Inovação e Tecnologia de Barueri