“Cartas de Datas” abordam papel das mulheres em Jundiaí no século 17

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Em 1657, logo após a chegada dos primeiros colonizadores e quando Jundiaí tinha cerca de 300 habitantes, a concessão de terras tinha que ser solicitada, pessoalmente, ao membros da Câmara da cidade, então autoridades máximas do lugar. Eram o jeito de resguardar a posse da terra de forma legal – e, naquele ano, 59 pessoas fizeram essa solicitação; dez delas eram mulheres. O que poderia ser um fato surpreendente para a época, considerando-se o papel da mulher na época, foi tema da palestra “As mulheres nas Cartas de Datas de Jundiaí de 1657”, realizada na Pinacoteca na noite desta segunda (26), dentro da programação do Mês do Patrimônio.

O palestra foi ministrada por Kathlin Carla de Morais, doutoranda pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e paleógrafa (especialista no estudo de textos manuscritos antigos e medievais), que abordou essas cartas de datas – espécie de “escrituras” das terras” – solicitadas naquele ano em Jundiaí.

Palestra foi ministrada por Kathlin Carla de Morais, doutoranda pela USP e especialista no estudo de textos manuscritos antigos e medievais

A plateia, composta principalmente por estudiosos, pesquisadores e interessados em História, pôde fazer perguntas e saber mais sobre a condição feminina na época. “Estamos acostumados a imaginar as mulheres no século 17 como reclusas, confinadas, mas nem sempre isso corresponde à realidade. Minha pesquisa mostrou que casadas, solteiras e viúvas foram à Câmara pedir – e conseguiram – o direito a terras, algumas até mais do que uma vez”, conta Kathlin, que fez sua dissertação de mestrado sobre o tema: “Damos aos suplicantes os chãos que pede – estudo do manuscrito Cartas de Datas de Jundiaí do século XVII”, que pode ser lida neste link.

Algumas chegaram a pedir terras mais de uma vez; uma mulher chamada Agostinha Rodrigues foi três vezes à Câmara pedir Cartas de Datas, e conseguiu. Segundo Kathlin, todas essas terras ficavam ao redor da igreja Matriz, região na qual o povoado ia se formando. “É uma oportunidade rara de saber como se compunha a sociedade e o povoamento na época”, explica.

Programação
A programação do Mês do Patrimônio no Município prossegue com a entrega da implementação do Projeto Patrimônio 360 da Biblioteca, que será realizada nesta quarta (28), às 19h, na Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, e o colóquio “O Samba de São Paulo”, nesta quinta (29), com a deputada Leci Brandão, na Câmara Municipal. A programação do Mês do Patrimônio pode ser vista no site da Cultura.